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Fundação da Juventude e Ciência Viva elegem os melhores projetos de investigação juvenil na XI Mostra Nacional de Ciência

2017-06-03

Durante três dias, foram  mais de 70  os professores e investigadores que estiveram reunidos no Centro de Congressos da Alfândega do Porto para avaliar os 100 melhores projetos de investigação Juvenil em competição na XI Mostra Nacional de Ciência. Mais de 300 jovens coordenados por cerca de 70 professores deram a conhecer os projetos que arrecadaram prémios no valor de 6.000€ e foram apurados para participarem em duas das mais importantes competições internacionais de Ciência: a Final Europeia de Ciência e a Intel ISEF - Feira Internacional de Ciência e Engenharia.

 

O 1º lugar desta foi para o projeto Easypark  que segue, também, para a Final Europeia de Ciência que se realiza de 22 a 27 de setembro, na Estónia. Desenvolvido na Escola Secundária de Oliveira do Bairro por  Beatriz Bastião, Luís Pinto e Olavo Saraiva, o projeto aposta na redução de desigualdades sociais. Segundo os autores «trata-se de uma iniciativa inovadora que irá melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência física e aumentar a sua independência. Na prática a ideia é instalar em cada local de estacionamento prioritário um pilarete automático, a ser ativado a partir da leitura de matricula para impedir que as pessoas estacionem ilegalmente. O dispositivo manterá os lugares de estacionamento prioritários livres para aqueles que realmente precisam».

 

O 2º prémio foi atribuído em ex-áqueo ao projeto "ShealS - Sea Heals Soil" e ao "Compósito antisséptico do extrato da planta Celidónia Magnus". Desenvolvido no Colégio Luso-Francês do Porto, o projeto "ShealS - Sea Heals Soil", foi idealizado por Eduardo Nogueira, Francisca Martins  e Gabriel Silva que estarão também em Setembro a competir na Final Europeia de Ciência. Como explicam os autores do projeto «o trabalho visa a criação de um fungicida natural à base de extratos de algas da costa portuguesa para combate a Phytophthora cinnamomi, um oomiceta que não reage a qualquer fungicida comercialmente disponível e que se encontra incluído na lista dos 100 fitopatogénicos exóticos invasores mais prejudiciais a nível mundial».  Em 2º  lugar encontra-se também um projeto cujos autores definem como "Compósito antisséptico do extrato da planta Celidónia Magnus". Desenvolvido na Eptoliva, na Tábua, por Bruno Paulino, Carlos Quintino e Catarina Costa, o projeto procura determinar as atividades antibacteriana, de diferentes extratos alcoólicos obtidos a partir da planta Celidónia Magus a fim de produzir uma solução desinfetante, isenta de iodo e capaz de substituir soluções as existentes no mercado. «O desafio passa por desenvolver um compósito biodegradável para substituir os atuais pensos rápidos. Estes pensos têm no seu interior uma película impregnada de solução desinfetante que, quando colocada  sobre uma lesão da epiderme, permite estancar a hemorragia e proteger a ferida, além de desinfetar».

 

Foi para os jovens estudantes da Escola Portuguesa de Moçambique - CELP, Maputo, que participaram a convite da Fundação da Juventude, que seguiu o 3º prémio, cujo trabalho incide sobre  Bioplástico produzidos a partir de amido de Mandioca. Beatriz Amado, Francisco Aguiar e Rushali Sacarlal provaram conseguir produzir bioplástico a partir do amido da mandioca. «O nosso trabalho consiste na extração de amido da mandioca, usando-o de seguida como um dos reagentes na obtenção do nosso bioplástico. Esta é uma solução que traz muitas vantagens pois não só é biodegradável (degradando-se 6000 vezes mais rapidamente que um plástico normal), como também é comestível e amigo do ambiente», explicam os autores do projeto.

 

Na área das ciências sociais a Escola Profissional Gustave Eiffel, do entroncamento, apresentou um projeto que acabou por se destacar com o 4º lugar. "Cultura cabisbaixa" ou as novas sociedades juvenis?" foi o titulo atribuído ao estudo desenvolvido por Ana Catarina Ambrósio e Filipe Marinho que avaliaram o papel da rede digital no enfraquecimento dos laços sociais, do espirito de solidariedade e da própria proximidade humana. Como reagem os jovens a esta avalanche de solicitações digitais, de que forma as tecnologias  influenciam as suas vidas, de que forma essa postura leva a desvalorizar a atitude face a face, cabeça erguida e alinhada com o outro, foram algumas das questões que estiveram na origem deste estudo sociológico e comportamental.

 

Com o 5º prémio destacou-se o projeto "Halobactérias: uma bomba anti-sal" que acabou também por se apurar para a Intel ISEF, a Feira Internacional de Ciência e Engenharia que se disputa em maio de 2018, em Pittsburgh, na Pensilvânia. Alunos da Escola Secundária Júlio Dinis, em Ovar, Catarina Barata, Maria João Lopes e Raquel  Silva, estudaram a influência das halobactérias no desenvolvimento e germinação da alface. Como explicam os autores do projeto «para perceber a influência das halobactérias na germinação da alface foi realizada uma primeira fase de forma a descobrir qual o efeito da salinidade na germinação das mesmas, utilizando soluções salinas com o controlo de água destilada».

 

A 11ª edição da Mostra Nacional de Ciência  foi o culminar do 25º Concurso para Jovens Cientistas, no qual participaram, este ano, 116 projetos de diferentes áreas científicas, envolvendo 309 alunos e 73 professores de 56 escolas de todo o país. Segundo Ricardo Carvalho, Presidente Executivo da Fundação da Juventude «ao longo dos últimos 25 anos, e através do Concurso para Jovens Cientistas, a Fundação da Juventude tem premiado o mérito e a investigação científica, sendo este um esforço reconhecido pela crescente participação da comunidade escolar».

 

Dos projetos submetidos a concurso, 25 são da área da Biologia, 17 das Engenharias, 21 das Ciências do Ambiente, 7 da Química, 5 da Bioeconomia, 5 das Ciências Sociais, 14 da Física, 6 da Matemática, 1 das Ciências da Terra, 10 das Ciências Médicas e 5 da Informática/Ciência da Computação. Destaca-se, ainda, e pela segunda vez neste certame, a participação, a convite, de 4 projetos internacionais oriundos do Brasil, de Espanha e de Moçambique, num esforço de promoção da cooperação internacional na área da Ciência e da Tecnologia entre instituições e participantes, proporcionando, em especial aos jovens, uma oportunidade de partilha de conhecimento e de contacto com diferentes comunidades e culturas científicas.

 

Para a organização da Mostra Nacional de Ciência «este é o resultado de um processo exigente que instiga o desenvolvimento e o potencial dos jovens cientistas portugueses, o qual apenas se tornou possível com a estreita colaboração da Ciência Viva e do Município do Porto, que pela primeira vez recebe a Mostra Nacional na cidade do Porto, ambos na qualidade de co-organizadores. Importa igualmente realçar e destacar o apoio fundamental dado pelo JB Fernandes Memorial Trust I na qualidade de mecenas».

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