Colóquio sobre Português como Lingua Não Materna 2010-10-18
No crescente contexto de imigração associado aos processos de globalização e de mobilidade no espaço europeu, Portugal tem vindo a tornar-se um país cada vez mais multilingue e multicultural. A igualdade de oportunidades no acesso a uma vida com melhores condições, o combate à pobreza e a dignificação humana, em geral, passam para os grupos imigrantes e de minorias étnicas, tal como para todos os outros, pela escolarização das crianças e jovens. A uma plena cidadania numa sociedade que tem como língua oficial uma língua que não é a da família, não pode ser alheia a escola. Estimando-se que mais de cinco dezenas de línguas são faladas em casa pelos alunos das escolas portuguesas e mais de três dezenas com os amigos e os colegas (Mateus, Fischer & Pereira, 2005), urge reflectir sobre as implicações pedagógico-didácticas e para a formação de professores do facto de a língua portuguesa não ser a língua materna para cerca de 14% da população estudantil nacional. Adicionalmente, e enquanto língua falada por cerca de 250 milhões de pessoas, a língua portuguesa tem um lugar privilegiado no mundo, quer no ensino além fronteiras, através, nomeadamente, da existência de mais de uma centena de leitorados no mundo, quer na crescente procura do nosso país por um público cada vez mais diversificado (estudantes dos PALOP e Timor-Leste, estudantes ERASMUS, entre outros). Estas diferentes realidades têm vindo a trazer novos reptos ao ensino-aprendizagem do Português Língua Não Materna (PLNM) e, consequentemente, à formação de professores.
Este colóquio visa, assim, convocar contributos da investigação e de boas práticas de ensino de PLNM (quer na promoção de bilinguismo e de inserção numa escola e numa sociedade inclusivas, quer no entendimento de práticas comunicativas e interculturais, em diferentes níveis de ensino-aprendizagem). De entre estes contributos, destacamos o projecto EUCIM-TE, cuja finalidade é desenvolver um currículo europeu comum destinado a formar professores (na formação inicial, contínua e ao longo da vida) capazes de actuar em contextos multilingues e multiculturais, com destaque para a consciencialização do papel da linguagem escolar na promoção do sucesso educativo, não apenas destes grupos, mas de todos os alunos.