"Um economista no meio de quatro amigos com formação em conversação e restauro, e todos com menos de 30 anos de idade, só podia acabar em negócio. Os cinco fundam, em Abril de 2008, a empresa 20/21 e instalam-se na incubadora de indústrias criativas INSerralves.
Daí até começar a trabalhar no Museu de Arte Contemporânea de Serralves foi um saltinho (até pela proximidade geográfica). Mas de Serralves para o Parlamento Europeu já foi um passo de gigante, onde a equipa está, desde o dia 25 de Julho, a avaliar o estado de conservação de 550 obras de arte e envolvente (salas, corredores, gabinetes e salas de armazenagem). Já estiveram no Luxemburgo, depois em Estrasburgo e, agora, estão em Bruxelas (até ao fim de Agosto).
“É o primeiro passo em termos de trabalho de conservação fora de Portugal”, adianta Pedro Pardinhas, o sócio economista. E acrescenta: “É um trabalho de nível europeu, bem feito e que não é só termos o ‘selo’ de Serralves”.
A partir daqui, a 20/21 (os números têm um significado, “os cinco” querem responder aos desafios da arte moderna e contemporânea dos séculos XX e XXI) quer “chegar a mais clientes, continuar a trabalhar no Parlamento Europeu e eventualmente noutras instituições europeias”. Quando ao mercado natural da empresa portuense, Pedro Pardinhas aponta o Noroeste Peninsular e chegar à Galiza “é perfeitamente possível e está dentro dos nossos objectivos”.
E a vencedora é...
Única no Norte do país, a 20/21 foi a vencedora de um concurso internacional para fazer o levantamento da conservação das obras de arte do Parlamento Europeu.
Trata-se de um colecção constituída por 550 peças, na maioria quadros, dos 27 estados-membros. Entre os autores das obras estão Julião Sarmento, Ângelo de Sousa e Arpad Szenes.
O trabalho de avaliação do estado de conservação das obras de arte estará concluído no final deste mês, sendo que o relatório final terá que ser entregue até ao dia 17 de Dezembro. Nesse documento constará a definição de uma estratégia de preservação que incluirá o estabelecimento de rotinas de manutenção ajustadas, a alteração de soluções expositivas e, em último caso, o restauro de algumas obras.
A 20/21 trabalha para o Museu de Serralves, bem como para outros museus do Norte do país. Da carteira de clientes também constam alguns coleccionadores (pintura e escultura).
Pedro Pardinhas diz que ainda têm um longo caminho pela frente e que gostariam de chegar até aos principais coleccionadores de arte, bem como trabalhar directamente com artistas.
Em 2010, a 20/21 facturou 80 mil euros. A empresa está incubada na INSerralves, mas a breve prazo irá concentrar tudo no atelier que possui na Rua do Rosário, junto às galerias de arte da Miguel Bombarda."
