No próximo dia 24 de Fevereiro (quinta-feira) pelas 21h30m, no Palácio das Artes – Fábrica de Talentos, realiza-se a 25ª tertúlia "Porto Tónico". O tema desta edição é "O Teatro Experimental", e contará com Gonçalo Gregório e/ou Nuno Matos: Presidente e Vice-presidente do Teatro Universitário do Porto Júlio Gago, Director do Teatro Experimental do Porto; Daniela Gonçalves – Actriz e produtora da Companhia Estaca Zero; José Carretas, Director Artístico e Encenador da Panmixia; Mário Moutinho, Presidente e Director Artístico do FITEI; Roberto Merino, Director do Curso de Teatro na Escola Superior Artística do Porto;
Dando mote a esta tertúlia, o Teatro Experimental, ou também intitulado Teatro Moderno, iniciou-se no pós guerra, aproximadamente nos anos 60 e veio revolucionar tudo o que o público associava quando era proferida a palavra teatro. Permitiu dar voz ao povo oprimido, onde estava presente a critica e a auto-reflexão sendo aplicável em qualquer público e situação. Muitas das personagens são personagens tipo, que na maioria das vezes vão sofrendo alterações, tendo em conta que o texto é reestruturado inúmeras vezes.
Este tipo de teatro veio permitir inovação técnica e estética, sendo que até então os cenários eram estáticos, e que é nesta altura que os cenógrafos começam a ter um papel relevante e bastante activo, querendo sempre impressionar os espectadores com um cenário diversificado, onde estavam presentes vários tipos de iluminações, palcos movíveis, pantomima, ballet, musica, que provocavam no público diversas novas sensações, tudo isto envolvido num argumento invariavelmente moralizante onde a ética e a virtude são vencedoras do vício que sai sempre estigmatizado. Reinava uma atitude política, social e moral como estava patente, por exemplo, nos “teatros de rua” que permitiam transparecer os três objectivos deste tipo de teatro. Dada a necessidade de passar uma mensagem clara teve que se adaptar a linguagem para que se pudesse espelhar melhor os objectivos inerentes e houvesse uma auto-reflexão daquilo que muitos de nós procura não reflectir para não desmoralizar.
Será que o teatro tem vindo a atrair menos gente porque inovação significa mudança, e mudança implica conflito? Será que o público sente que o conflito está aliado á instabilidade e isso faz com que haja um desmoronamento da adoração pelo teatro patente no inicio? Poderá a evolução ter feito com que se perdesse a verdadeira ideia de teatro?