Dia 27 de Janeiro, 5ª feira, a partir das 21.30 horas um painel vasto de convidados conta contigo para discutir "O voluntariado, como nova oportunidade de inclusão", no Palácio das Artes - Fábrica de Talentos.
Convidamos| Cláudia Braga, Promotora do Voluntariado da Delegação do Porto da Cruz Vermelha Portuguesa; Laurinda Gonçalves, Liga do Amigos das Crianças do Hospital Maria Pia; Maria Carneiro, Voluntária e Representante da Associação Portuguesa dos “United World Colleges (APUWC)”; Sónia Fernandes, Presidente da Pista Mágica – Escola de Voluntariadoe Vítor Baltazar Dias, Director Regional do Norte do Instituto Português da Juventude que nos vão mostrar como o voluntariado pode ser abordado através da relação entre o voluntário e o profissional, o enquadramento dos voluntários nas organizações e os aspectos facilitadores da acção do voluntário, incluindo uma reflexão sobre as motivações para o voluntariado. Esta sistematização elenca, ainda, algumas orientações estratégicas dirigidas a voluntários e a organizações.
Na 24ª Tertúlia “Porto Tónico” da Fundação da Juventude sob o tema “O Voluntariado, como nova oportunidade de inclusão”, realizada no Palácio das Artes – Fábrica de Talentos, no Porto, a 27 de Janeiro, foram abordadas as seguintes áreas de Intervenção: Cidadania, Voluntariado, Participação Cívica e Responsabilidade Social. Esta tertúlia foi iniciada com uma questão pertinente, o que é o voluntariado e como é o mesmo em Portugal.
Sónia Fernandes tem muitos anos de voluntariado e trabalha em prol das instituições e voluntários, capacitando-os. Referiu que se devia exercer o voluntariado sem esperar recompensa, que a motivação prevalecente deveria ser o bem que se faz aos outros. Ainda assim, defende que existe um valor económico associado ao voluntariado que não se pode negar. Em alguns contextos, como no caso das Nações Unidas o voluntário recebe o VLA (Volunteer Living Allowance) que serve para custear as despesas do Voluntário em missão de cooperação internacional. Refere que em Portugal se pede demais ao voluntário: pede-se doação de tempo, de competências e esforço financeiro por exemplo no pagamento dos transportes para chegar ao local onde exerce voluntariado e para as refeições quando o horário de colaboração a isso exige. Muitas das Instituições/organizações não têm competências de gestão dos seus voluntários. Acima de tudo, os voluntários precisam ser reconhecidos e essa deve ser a principal remuneração – que é motivacional. O empreendedorismo social é uma excelente solução para quem quer voluntariado em algo que gosta e não encontra uma organização que se enquadre nos seus ideais e competências.
Vítor Baltazar Dias afirma que em Portugal o Voluntariado esteve sempre associado à caridade e que devia ser muito mais do que isso. No entanto, já há quem organize e institualize. Hoje em dia precisamos de parar um pouco para pensar sobre estas questões, parar para reflectir pois chegamos ao cúmulo das organizações sem fins lucrativos pedir voluntários a outras instituições para angariar fundos. Só pode e deve existir daqui em diante se houver uma entidade que organize. O voluntariado é o expoente máximo do valor da Cidadania. A participação cívica e a responsabilidade social são factores essenciais no voluntariado e tem que ser muito mais do que ajudar os carenciados. Tem que ser algo que nos valorize enquanto cidadão. A educação formal e não formal devem andar em paralelo, não é necessário criar mais disciplinas e inventar o que já está inventado. Precisamos de uma sociedade melhor, mais inclusiva, mais educativa com o contributo de todos.
O Coordenador do Voluntariado do Banco Alimentar da Luta Contra a Fome no Porto, mostrou-se de acordo com o Vítor Baltazar dias referindo que é mesmo necessário travar um pouco o voluntariado de forma a que não se vulgarize. Só pode e deve se tiver uma entidade promotora que se responsabilize por eles. Deve-se incentivar os jovens ao Voluntariado já desde o tempo de escola e chegar às crianças já desde as escolas primárias, tem que ser visto como um trabalho pedagógico, criar o ideal como base.
Há empresas que já valorizam o voluntariado nos seus quadros. A ideia de doação de tempo, de qualificação e competências. Enquadrar este conceito do “banco do tempo” tendo em conta a situação em que nos encontramos actualmente pois a Escola tem muito para dar como a oferta das competências embora haja, quem ganhe as competências através do voluntariado.
Cláudia Braga, concorda, afirmando que é necessário formar as pessoas e estipular estratégias, encaminhando-as assim para as respectivas áreas onde as suas competências sejam uma mais-valia. Todos os dias recebem pessoas (Delegação do Porto da Cruz Vermelha Portuguesa) que se candidatam a prestar serviço voluntário, as quais passam por um processo, ou seja, acolhimento, selecção, formação e integração.
Se na maioria das vezes o processo de recrutamento, selecção e integração é bem aceite pelas pessoas que se candidatam, existem outras que não compreendem que para trabalho de voluntários seja necessário existir um processo de recrutamento e selecção.
Cabe às instituições no acolhimento aos candidatos fazer o devido enquadramento da Instituição para a qual se candidatam, assim como, os direitos e deveres do voluntário e para que serviço /projecto/actividade estão a recrutar voluntários.
Após a selecção é necessário organizarmos o processo do candidato, deste processo faz parte o registo criminal pois muitos voluntários são destacados para trabalhar com crianças e jovens, assim como outros documentos.
No processo de que temos vindo a falar é obrigatório que os profissionais, e voluntários, estejam implicados, são estes que nos vão transmitir quais as necessidades de integração, ou seja, todos os colaboradores e serviços da casa estão implicados.
O contributo do trabalho do voluntário deve estar plasmado no relatório de contas anual, só assim teremos ideia do contributo do voluntariado para o cumprimento dos objectivos traçados e alcançados.
Ser voluntário na Cruz Vermelha Portuguesa é estar disponível voluntariamente a colaborar nos serviços da Instituição, tendo sempre presente os princípios fundamentais que nos regem.
A Cidadania deve ser activa e haver consequentemente organização social.
Maria Carneiro falou-nos da sua experiência mais a nível pessoal como estudante e voluntária pela “United World Colleges (UWC)” referindo que a maioria dos candidatos encontram-se em idades compreendidas entre os 16 aos 18 anos e que uma das exigências do diploma (equivalente ao 12º ano português) é a realização de serviço social. Os alunos são encorajados a juntarem-se a projectos de voluntariado vários, ou seja, de diferentes durações, a nível local ou internacional. Viajar por vários países é algo muito aliciante no âmbito do Voluntariado Internacional e uma das motivações pois acaba-se sempre por ganhar competências noutras áreas como foi o seu caso a nível administrativo. Para ela a mais significativa foi na Bósnia e Herzegovina, onde esteve durante 8 meses, no United World College in Mostar, escola com o objectivo principal de atenuar a segregação étnica sentida no sistema de educação local. A reacção dos pais não foi muito agradável mas depois o seu trabalho como voluntaria foi reconhecido não só por eles como pela Instituição, o que torna tudo mais gratificante.
Para finalizar, foi lido por Vítor Baltazar Dias um excerto do livro de um jovem que tinha como objectivo realçar a importância que o voluntariado pode ter na vida de cada um. Tivemos ainda a oportunidade de constatar que para ser voluntario é preciso muito mais do que força de vontade, mas também é recompensado com muito mais que um sorriso verdadeiro.